sexta-feira, 30 de novembro de 2012

essa tarde.

Me afastei do que eu pensava que era. Talvez eu não seja nada daquilo que pensava que era. Ou de fato eu sou, mas me afastei do que sou. Questionamentos vagos.
O inferno astral se assanha entre as minhas pernas como um gato preto em sexta feira 13. Ou se esfrega na minha cara como aquela realidade que você fecha os olhos todas as noites rezando pra que acorde e conclua que tudo era mentira.
Ando com medo de perder pessoas, perder o amor, o sentimento, ver a frieza bater a minha porta pedindo cobertores, de perder a própria perda.
Sei que cada pessoa que leia essas palavras pensará: 'Nossa, ela está realmente mal...'. Os mais próximos virão em socorro achando que a onda ruim superou a imensidão do oceano. Não se preocupe, ela nunca supera. Continuo vivendo o meu ciclo diário de preocupações cotidianas. Os medos na verdade fazem parte do que eu sou...desde pequena aprendi que o medo é sim, um empecilho pra muitas coisas, mas garanto, ele me protegeu de coisas muito piores. E o pior nem a vida em si, mas o que nela se esconde.Mamãe foi quem me ensinou. Aliás, saudades dela...e daqueles em que minhas escolhas me fizeram ficar a alguns kilômetros de distância porque um sonho, ou uma vontade pessoal e porque não, um egoísmo já não se encontravam no mesmo solo onde eu pisava.
Eu estou bem. Ainda tenho as mesmas crenças, continuo acreditando no mesmo Deus que adora me ver desesperada às vezes porque acha curiosa a maneira como abandono o mesmo no meio do caminho como se nem tivesse arrancado fios de cabelos nas unhas pela vontade de chorar feito louca...
Não se preocupem em me procurar achando que sofro...não sofro. Mas carrego o inferno. E pra superá-lo, o astral.





terça-feira, 27 de novembro de 2012

Quando o calo canta.

E quando a vontade é pegar todas essas desilusões que se soltaram no ar, e guardá-las no bolso pra não ter mais de encará-las em frente ao espelho. Correr, o mais longe e rápido possível porque todos os dias são como baldes do ácido mais corrosivo que te aproximam de uma realidade que não pode ser vista de olhos abertos. Que sequer pode ser vista. Fechar os olhos? Não, não se sabe de onde vem o tiro.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As mãos que se dão não são as mesmas de anos atrás...
são as que se perderam e sempre se reencontram na primeira oportunidade de não mais se soltar.

Banalidades

Desde que soube daquela notícia, andava sobre sua insegurança como quem caminha lentamente sobre cacos de vidro em brasa. Nem mesmo as gotas daquela fina chuva de janeiro, que sempre foram motivo de inquietação no verão, incomodavam tanto. Espairecia em botecos baratos, sentada na mesa mais distante, sentindo o estômago revirar e vendo as conversas do inicio se transformar em meras lembranças. Bobagem. Na verdade ela nem se lembrava mais das conversas que haviam tido. Só se lembrava do bilhete na geladeira com uma nota de 100 reais, lhe pedindo perdão por todas as vezes que a havia desestabilizado emocional e financeiramente, por todos os conflitos internos que a havia feito sentir nos últimos anos, prometendo que jamais colocaria os pés dentro de sua casa. Talvez uma promessa nunca tenha doído tanto. Não pra ela. Era exatamente o que ela queria. Mas pra ele, que jamais voltaria a recuperar os 100 reais deixados no imã da geladeira.











quinta-feira, 4 de outubro de 2012

ponto de partida

Ficou ali em silêncio, velando pelo sono profundo em que ela se encontrara.
Fazia quase uma hora que aquele era o único som em que ouvia...acompanhava o peito dela se movimentando unido às batidas de seu coração. Aquilo doía profundamente.
Levantou-se, caminhando suavemente pelo assoalho de madeira, por aquele quarto que cheirava a incenso, a sabonete de ervas finas, à perfume de catálogos baratos. O vento que entrava pela janela provocava-lhe um arrepio que atingia-lhe o fundo d'alma. Parou diante do espelho do guarda roupas e fitou profundamente aqueles olhos tristes que se posicionavam olhando-o diretamente. Pegou o diário na estante, desceu as escadas silenciosamente, girou a chave dourada, puxou a maçaneta e saiu, segurando-o firmemente contra o peito e sentindo o coração batendo mais forte quando viu o carro daquela que estava tirando-o de sua vida segura, de sua vida certa, de seu porto maior. Apresadamente entrou no carro e não mais sentiu aquele cheiro, não mais sentiu aquela presença, não mais se sentiu. Nem mesmo aqueles olhos claros, aquelas mãos macias, aquele batom vermelho, comparam-se ao ar que aquela mulher que repousava naquele quarto escuro no andar de cima lhe oferecia. Mas estava mais do que comprovado: ele não a merecia. Estava mais do que certo: deveria partir. Era mais do que claro: era pra sempre.








quinta-feira, 13 de setembro de 2012

dedicação.

- "Aos românticos incuráveis, aos ciumentos intragáveis, aos violentos irreparáveis, aos carentes insustentáveis, aos lascivos irrecusáveis, aos felizes desorientados, aos depressivos mal criados, aos irritantes e irritáveis insuportáveis: esse vazio é de vocês. Descubram como preenchê-lo e não atirem pedras nas vidraças alheias." - gritava o aviso no meio da rua.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

rosa.

Ela acreditava nas rosas. Sempre acreditou no poder delas e não quão encantadoras eram aquelas flores que exalavam um perfume delicado e cruel. Cruel porque trazia lembranças de uma vida passada a qual ela não gostava nem de pensar em reviver. Delicado porque era a representação do seu próprio ser e daqueles seres que a cercavam. A parte disso, cultivava muitas rosas de variadas cores no seu jardim. Sabia exatamente a sensação de ter uma piscina de pétalas e outra de espinho, porque mergulhara em ambas e voltara completamente ferida quando os espinhos perfuraram sua pele, seu rosto, sua alma. A de pétalas era o seu refúgio quando os espinhos se tornavam insuportáveis. Enquanto isso cultivava rosas. Ia sempre cultivar essas rosas. Cultuar essas rosas. Aquela rosa.








quinta-feira, 23 de agosto de 2012

retirada.

O silêncio atingiu o ponto mais alto daquela noite.
Saltos altos dos apartamentos vizinhos ecoavam pelos corredores enquanto naquela casa silenciosa só restava o vazio. Móveis cobertos do que antigamente era um lar, e hoje era apenas comércio.
Na cabeça dele, o vinho estava amargo demais, o vento gelado demais, e o silêncio falava alto demais; motivo mais que suficiente para que, aos brados, exigisse que ela melhorasse seu paladar, fechasse as janelas e começasse a dizer o que pensava, pois aquele era o extremo em que chegariam.
Já para ela, restavam os próprios contra-argumentos que raramente surtiam um bom efeito, as lágrimas e o sentimento de 'eu sabia que seria assim', ou 'minha mãe me avisou que era tudo muito rápido'. Ela sentia que tudo chegaria nesse ponto quando passou a reviver uma vida em um dia. Não mais vivia o agora. Se prendia a lembranças do que havia sido, do quão próximo estiveram e de quanto tempo levaria até que aqueles laços (que já se transformaram em nós) finalmente se desfizessem. Enquanto isso ela fazia as malas. E guardava carinhosamente o retrato, daquele fim de semana em que eles se sentiram inatingíveis, acreditando que não se cortaria dançando sobre os cacos daquela história.





terça-feira, 31 de julho de 2012

mais que normal.

Pra quem já perdeu a voz diante da falta de crença, da cegueira e da dependência, ver o mundo se levantar sem voz não é algo tão doloroso. É apaziguante. É depois de algum tempo que a gente percebe que mesmo que estilhaçado, cada pedacinho de um espelho ainda reflete uma pequena parte do mundo.





















terça-feira, 10 de julho de 2012

sim ou com certeza.

A gente passa muito tempo assim, sentindo. Mas na hora de escrever o que sente, não sai. Sou dessas...odeio declarações melosas demais, açucaradas demais, com lero lero demais...sendo assim, passo muito tempo tentando interpretar o que eu sinto por ele e não sai.
Não vou ficar procurando meios de dizer o quanto ele é especial, o quanto eu o amo, o quanto ele me faz feliz, que a gente é pra sempre. Ele não me aguentaria pra sempre. Aquela velhinha caquética, reclamona, irritante...ainda mais ele. Nunca é. Uma puta besteira isso.
Ele é aquelas metáforas das coisas simples da vida, que te acontecem. Todo dia. O dia todo.
Ele é aquela risada que você dá sem perceber e fica puta da vida consigo mesma por ser tão idiota. Dá a mesma sensação que aquele ventinho leve quando você ta praia ao meio dia e não sabe pra onde correr pra se refrescar. É aquele momento que você ta trancando a porta de casa e de repente te dá um estalo e você lembra que o celular ficou...o alívio por ter lembrado, sabe? O último gostinho doce do chiclete, ainda que depois ele fique duro, seco e insípido, você acaba querendo mais. Aquela blusa que você comprou super por acaso, 'pra usar a toa' e ela se tornou a sua peça chave e favorita.
 Mas como toda aparelhagem masculina, ele consegue ser aquele ódio profundo que dá ao ver uma loira sensacional de roupas extremamente curtas e físico perfeito desfilando pelas ruas e me fazendo pensar "certeza que o maldito estaria olhando agora!". Pode ser aquela chuva extremamente fria que começa a cair no exato momento que o pneu do carro estourou e a única pessoa que pode trocar é você mesma.Ou a ventania pavorosa que acontece quando você se produziu toda pra sair de vestido, salto alto e sem blusa. Te faz querer empurrar ele contra a parede e morrer ao mesmo tempo. Às vezes te deixa meio indecisa entre continuar com ele ou pular de um prédio de 15 andares. Te faz querer pendurar as chuteiras da sua vida bagunçada e fazer uma bomba nuclear. Te faz ter momentos de puro racionalismo em que você aceita todas as condições humanas dele, mas em outros você sentiria o ego super massageado de aniquilar em massa não só ele, como todos da mesma espécie.
Mas pergunta se em algum momento pensei em ficar longe dele. Sim, é óbvio. Só não me pergunte se eu estaria viva no dia seguinte. Ou se ele estaria.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Nem sempre pelo mundo.

Me contento em ser tão somente
mais um filho do mundo
esse mundo que chora
essa noite que chove

Não faço questão de ser escutada por ele
não quero que me responda nada
nem me indique nenhum caminho

Mas me dê um espaço
pra ser meu
pra ser eu

Pra ser o mundo
Pra não ser Deus

só quero ser mais um filho
dessa escuridão fluída
que lava a distância percorrida
entre o ser e o poder
entre o viver e o parecer
entre o padecer.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Velha História

Ela não vai sair daquele bar sem fazer estragos, sem quebrar nada, sem seduzir ninguém, ela preferia a confusão. Queria mesmo ver o circo pegar fogo sem se importar com as consequências...

Ela não ia. Mas o melhor a fazer é dar uma piscadinha pro rapaz lá atrás, terminar aquela garrafa, levantar derrubando a cadeira e quebrar o salto nos vãos entre as pedras da calçada. Esse era o desfecho de sempre. Todos acabavam olhando aquela jovem, compadecidos com seus 'ais'...'tão nova, tão bonita, mas desse jeito...'

É...melhor terminar logo a garrafa.













terça-feira, 5 de junho de 2012

amargor.

No fim da noite sobraram só os estilhaços das taças atiradas, a porta entreaberta com o chaveiro tailandês pendurado, três garrafas de vinho caídas pelo chão e ela. Ela arrependida. Ela olhando pela janela. Ela sem norte. Nem sul. Talvez teria sido melhor encarar a despedida assim, silenciosa. mas ela preferiu que todos os vizinhos soubessem que ele não pertencia mais aos momentos em que ela (supostamente) mais precisava. "Sabia que não deveria ter acreditado naquelas flores! Sabia!"...Na verdade não, ela nunca soube e nunca vai saber. Dali um tempo ele vai aparecer, com mais uma garrafa de vinho, outro buquê de flores, ela vai abrir a porta, vai segurar o chaveiro tailandês da lua de mel e vai sentir de novo tudo aquilo que aquela noite proporcionara. Para isso precisava sair da janela...mas ainda não se sabe se existe alguém no mundo que troca a lua pela terra.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

versos sem tempo.

me encontro aqui sentada, vendo o ponteiro girar ao contrário.
- porque eu deveria me preocupar em seguir a rota
em acompanhar a rotina
em aceitar as reticências...?

vida reticente
vide a bula
em verso morto.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

amor.

- eu te amo...

dizia ele enquanto alisava os cabelos dela e viajava naquela canção que tocava no rádio..."Que música...que música..."

- eu te amo...

dizia ela enquanto as gotinhas escorriam pelos vidros e os vidros embaçavam formando o céu na mente dela...

- eu te amo..

dizia ele enquanto aquele menino corria atrás da bola do outro lado da rua como se aquilo fosse uma prioridade no momento...

- eu te amo...

diziam eles enquanto explosões aconteciam no universo e os empurrava pra fora do planeta..
a prioridade da noite e da vida era aquele sentimento...tão leve, tão banal...era o peso de uma bola solta pela via láctea...

- como a gente se ama, né?


sexta-feira, 20 de abril de 2012

caleidoscópicamente falando

É natural buscar definições pra um sentimento...
Normal também é viver buscando padrões pra algo tão subjetivo como o amor, por exemplo.

A minha definição pra amor é simples...olhar nos olhos e ver um caleidoscópio.

Caleidoscópio, porque um olhar estático, que não muda de cor, não muda de foco, que não se move é quase como uma nuvem fixa no céu...já pensou, olhar pro céu e nunca ver elefantes, ou cachorros ou rostos felizes e tristes?

Um olhar que me olhe diferente a cada dia, que procure novos horizontes a todo momento e que brilhe de cores diferentes quando vê um sorvete ou uma foto estranha...

Que me confunda, que me distraia, que vire tudo de ponta cabeça a todo momento...


domingo, 15 de abril de 2012

Som da noite.


noite alta

Olhe quão imenso o céu se põe essa noite.
Já reparou nesse detalhe?
Sou daquelas que vai reparando
notando
anotando
andando
e amando
enquanto ando
e desando...

ah, como é bom se desencontrar nessas noites de céu infinito!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

pequena memória

Num pequeno guardanapinho de papel
ela escreveu seus primeiros versos
mas abandonou ao vento
e esse se perdeu

e uma criança que leu
acredita até hoje
que as palavras voam
com marcas de batom
e cheiro de cerveja...

sábado, 31 de março de 2012

night song.


prece pela noite.

pare e pense
quantas mentes gritantes
quantas vozes cantantes
ecoarão por essa madrugada

enquanto você chora
enquanto ignora
quanto sofre
em troca de tudo que é o nada

essa noite fria
essa noite intensa
chama pela dor
chama pela madrugada

que comece a madrugada
distante assim
fria assim
mas que venha
até mim.

quinta-feira, 29 de março de 2012

escuridão.

É dia ou é noite.
Assim segue-se uma regra perpétua que nenhum tipo de influência cósmica muda. O percurso da troca do dia pela noite e vice versa é inerente e inalterável.
Exceto em algumas vidas, que a noite se faz onipresente. É quase como um copo de whiskey eterno. Um amargo no fundo da garganta que parece impossível de ser digerido.
Assim vivia aquele homem que lentamente caminhava pela escuridão. Não sobrevivera a uma dor de amor e era como uma alma penada vagando pelas ruas sem fim, sem saída, sem rotas e rumos.
Camisa mal passada, mão nos bolsos, cabeça baixa...só se encontrava em mundos que não lhe pertenciam...mundos paralelos aos seu que não passavam de mera utopia.
Assim viviam aqueles que gastavam toda sua tristeza nos maços de cigarro barato, na bebida mais forte do boteco mais barato, na camas mais vazias da madrugada.
Em meio àquela selva de pedra, com janelas acesas a brisa da madrugada fria anunciava as almas que morriam enquanto balançava lentamente as cortinas que cobriam apenas o essencial a vista.
Assim vivia aquele casal que passava noites fitando as paredes laterais do quarto e sentindo o cheiro do casal que se amava a noite toda na casa vizinha ao invés de admirar o olhar um do outro em noites silenciosas.

É dia ou é noite.
Talvez seguir uma regra não seja a forma mais coerente de se viver os dias...ainda que o desespero seja dilacerante e o estômago viva com um nó impossível de desatar e que impeça que o ar atinja os pulmões, empurrar a dor pra baixo do tapete é uma decisão segura na maioria das vezes. Guardá-la numa mala e fingir que nunca existiu, que os arrependimentos nada mais são do que os ensinamentos de um carrasco que nos ensina a morrer no momento em que passa a lâmina da guilhotina no pescoço da vítima injustamente morta pela frieza.


Aliás, quanto frio faz nesse quarto...como balançam essas cortinas...
hora de fechar as janelas antes que as almas atravessem o corredor...

sábado, 24 de março de 2012

canción.


des-enho d'-alma

qual é o resultado
deste destino?

desatina?
desafia?

não sei
mas me fez

desviar
o caminho

desafiar
o destino

sem resultados
sem resumos

te des-ejo
te des-afio
te des-atino
te des-tino.

quinta-feira, 22 de março de 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

entre desajeitos e desejos

era tão sublime
aquele jeito avesso de ser
um olhar delinquente
um jeito desajeitado
posicionava o cigarro entre os dedos
sabia como acomodá-los entre os lábios
os cabelos levemente loiros
refletiam às luzes daqueles postes quase apagados

o olhar era quente
tinha um aconchego diferente
malicioso, firme, intenso
mas atingia como uma pedra contra uma vidraça fina

o sorriso tinha o corte de mil punhais
frios, rasgantes...

esse jeito vazio
e vadio
seduzia...

não sei que tipo de feitiço
tinha esse ser...
mas balançava
encantava 
e feria...e como feria...

sábado, 3 de março de 2012

recomeço.

era alta noite
noite fria
chovia horas a fio e a existência parecia improvável...

alguns segredos eram soltos na calada da noite
nenhum desses se calavam...

encantos e cantos ecoavam pelos becos escuros 
trazendo um novo vestígio de luz para os dias que dali se seguiam...

sentimentos e fragmentos
fragmentos de sentimentos
um longo vazio que escorria pelos lábios

era doce nos sorrisos
quente nos abraços

fez tudo diferente naquele dia
fez tudo descoberto naquele instante.

sexta-feira, 2 de março de 2012

e se assim seja

e se
esse ser
sentir
o que eu
sinto

e se
sentir o que
eu sinto

seja certo

e que o ser
sinta o que
eu sinto

serão só sensações
sentidas
ou sentimentos
em todas as
sensações?

se for assim, sim
se não for, assim seja.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

minhas eras

o pé de primavera
pede a primavera
que ela dure

mais um dia
mais um ano
mais uma era

mas que dure
e seja eterna
essa primavera
verei outras eras
ou só até
a primavera?





terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

chamas

a chama da vela
que vela
leve
a leveza que reveza
entre o peso e a tragédia

dramas
amas o que fazes
ou sofres
e dramatizas

não enfatize o drama
eleve a alma
deixe-se leve

releve
o drama
o que ama
e se re - leve
re - erga
re - vele
que no fim
tudo se
re - ve -lará.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

então deixa...

deixa chover então?
deixa, chover então?
deixar chover, então?
então...deixa que chova, deixa a chuva
se deixa...




(algumas pessoas especiais merecem esse post)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

o oposto do fim

é esse amor sempre passageiro
que nos faz passageiros do mesmo vagão

são estações, são ligeiramente
sãos...

sempre tão iguais
que parecem sempre o mesmo
amor...

esse sentimento notável
incontrolável
irreparável

mesmo depois de tantos trilhos
tantas trilhas
tantas milhas
ele permanece

sempre o mesmo
o mesmo passageiro
o mesmo motorista
o mesmo amor
o mesmo de sempre...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

mentes e iras

mentira
mentir
a
ira

até acreditar que seja
mentira
até acreditar
que não seja
ira

irá mentir
até que a ira
não seja nada além
de mentira

mentir na ira
até que a mentira
vire ira
ou mentira.

na sua mente
que a mentira
seja ira
uma mente de
ira
um monte
de mentiras

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

brisando-te

Brisa
breve
brisa

brasa
nos braços
que abriga
as brigas
e as belezas

pela brisa que bate
brevemente
te peço

me abriga
nos seus braços
abriga
meus abraços
nos braços seus?

brevidades

O caminho entre o banheiro e a sala de jantar pode ser um trajeto um tanto quanto surpreendente. Assim foi, depois de 20 anos que ela se deparou com um detalhe que até então, não tinha recebido a atenção merecida. Aquele casal de velhinhos que se sentava na sala há 60 anos tinha um pedacinho dessa memória pregada na parede havia quase 40. Era uma moldura em mogno com alguns detalhes em dourado já apagados pelo tempo.  Na imagem aquele casal tão jovem jamais imaginava que tantos anos se passariam eternizados em um mero pedaço de papel. A jovem, morena, de cabelos castanhos escuros, trajava um belo vestido carmim de gola fechada, uma corrente dourada e um batom da mesma cor do vestido. Tinha os cabelos presos e a expressão séria. Da mesma forma estava seu marido, aquele senhor elegantemente vestido com um de seus melhores ternos, cabelos engomados e um bigode sutil, característico da época. E até hoje, aquele casal permanece. Tiveram 9 filhos, todos se casaram, tiveram seus filhos e os filhos tiveram filhos...num ciclo infinito. Hoje ela cuida dele, ele cuida dela...talvez isso nunca tenha a necessidade de se acabar...e quando se forem dessa vida, permanecerão cuidando um do outro como fazem hoje.
 Ela não acredita que viva anos tão longos numa vida a dois como aquele casal, embora deseje. Também duvida da sua capacidade de sustentar os percalços comuns de um casal por anos a fio, mas sentia muito orgulho da superação deles.
Após muitos anos, como todo casal, o silêncio entre eles se fez gritante. Talvez durante as noites, muitas vezes insones, eles sejam tão silenciosos quanto o retrato naquela parede.
Mas também são eternos, como só um retrato pode ser.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

surpresa

surpresa encontro
a cada novo encontro
surpresas diárias
surpresas noturnas
me surpreendo com a forma
como você sabe
usar bem
todas as palavras
recicladas pelo tempo
recicladas pelos dias
recicladas
ano após ano
dor após dor
recicla sempre sua vida
mas mantém a surpresa
de encontrar a mesmice
reaproveitada
então, aproveite.


Oração às cinzas

queimem-se
todas as palavras
todos os sonhos
todas as vontades

que virem pó os seus mais profundos desejos
esse amor que julgas eterno
as paredes azuis
que todas elas caiam e queimem

se tornem não mais que miragens
que virem apenas mais um vulto no caminho
que os seus fantasmas sempre lembrem-se onde você está
e onde ficaram os restos úmidos dos seus gostos

rezo pela combustão de tudo que resta
para que se transforme em cinzas tudo aquilo que acreditou um dia
principalmente nas mentiras que dizias

e que você, que um dia foi amarelo
branco, vermelho, anil
não seja nada mais que a cor morta
que se torne apenas isso
cinza.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

monstro

corrói a alma
segue o fluxo do sangue feito um riacho
deságua pela ponta dos dedos
estilhaça o primeiro espelho que a frente lhe encontra

fuzila todos os corpos que dali se aproximam
queima em brasa o olhar que por vezes se acentua em fúria
jorra fogo e veneno pelos lábios
derruba cabeças por onde caminha

acima do bem e do mal
não preocupa, não mata
só fica
quieto até que a próxima vítima se esqueça da história.

é um gigante adormecido
sedento por vingança
na verdade carente

de algo que seja concreto
de algo que seja verdadeiro.







passageiro.

como eu te entendo é simples
é da mesma forma que a minha música favorita
que entra pelos meus ouvidos
me faz balançar sem querer
e indiretamente me faz tão mais feliz sem que nem precise ser tocada...

te sinto como meu perfume predileto
que penetra pelos poros
que exala sensivelmente pelo ar
que passa deixando uma marca única no seu encalço...

eu te vejo como meu filme predileto
me faz chorar
me faz sentir protagonista e antagonista
sem me deixar  perder o favoritismo pelo final feliz...

como eu te tenho?
como o ar que eu respiro
não vejo, não sinto, não toco, não percebo
mas preciso, sinto falta, dependo.
e sei que um dia morrerá
pela efemeridade dos sentidos.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

e no fim.

não existe um pingo de matéria
uma gota de essência
um vestígio de alma

é tudo um grande nada
um pedaço de matéria
dita como humana
pairando pelo planeta
caminhando pelo universo

não preenche espaço algum
só um imenso vazio
um vazio ambulante
alguém que nada significa
e nunca
nada
será.

A Louca.

Há algum tempo atrás, algumas pessoas que fluíam sentimentos através dos poros decidiram que era hora de juntar suas obras e inspirações e mostrar a todos o que sentiam. Desse momento nasceu 'O Coreto Cósmico', provando que o universo conspira pra unir pessoas que vivem, respiram, transpiram e se inspiram em função do amor e da amizade. O texto de hoje saiu desse dia. Dia memorável e um dos textos que, além de ser um doa meus favoritos, foi escolhido por várias pessoas que ja tem o meu amor e afeito perpétuos.


'Chamavam-na de louca. E ninguém ousava contrariar. Afinal, naquele vilarejo, o que o padre ou as velhas carolas da igreja diziam, era palavra de ordem. Mesmo tendo sido criada dentro daquele ambiente, tendo pais rígidos quanto a educação das suas filhas, ela era um peça fora do jogo. Benzeram-na quando pequena. A alma daquela criança devia ter sido tomada por algum espírito demoníaco, ‘Aonde já se viu, arrancar a cabeça das bonecas e colocar fogo assim?’, diziam as beatas .Na adolescencia bebia. Matava as aulas no colégio, embriagava-se e dormia com donos de bar para pagar a conta. E na vida adulta...ah, na vida adulta...ela nem chegou a crescer. Casou-se oito vezes, não teve nenhum filho e reza a lenda que matou pelo menos 3 maridos e com um deles, doou os órgãos para o mercado negro para comprar uma fruteira de metal. ‘Toda boa dona de casa e com bom gosto, quer uma fruteira de metal na mesa da sala de jantar!’. Terminou assim, louca. Uma mansão no fim da rua, sem jardim, (uma vergonha ter uma casa sem jardim) vivendo com seus 5 gatos e bebendo whisky o dia todo enquanto joga paciência. Dizem até que nesses 68 anos de vida, se teve uma frase que nunca saiu de sua boca foi ‘eu te amo’. Ela diz que nunca amou. E que o único homem do qual foi dependente, mas só até os 10 anos, quando descobriu que uma mulher nunca precisa pagar  a conta se tiver a certa “disposição”, foi seu pai. Mais ninguém. E também nunca o amou.
Alguns dizem que é falta de amor. Outros, que é louca.'

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

simples assim.

beijo
sela
os selos
e as celas

me beija
me prende
domina
acende

te beijo
te levo
te pego
revelo

que amo
te chamo
tu foges
eu sofro

e assim
é o fim
de você
em mim.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

para onde para?

Para-vida
para-brisas
para-tí
para-quedas

a cada queda
para
e recomeça

o ciclo
o sonho
até que algo
pare

mas não repara.
nunca para.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Passional

passional foi o crime.
Te matei dentro de mim e não me arrependi
não tem volta.

foi planejado
te esquartejei
te enterrei pra nunca mais te ver

não me arrependi
nem sofri
deixei passar

dizem que por ali nasceu uma flor
pode ser que sim
pode ser que não
mas foi passional

e não me arrependi.
passionalmente
me apaixonei
pelo que fiz.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

dopping



desespero agonia tensão irritação raiva ódio. bitucas queimando. copos vazios.goteiras. vidros contra a parede. um tiro. fúria. furacão. passe. suma. não volte. nunca mais. nunca mais.



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Looping do Dia



Eu não vou deixar você com esse medo de se aproximar
Pra ter um fim toda história um dia tem que começar

beyond me

Gostar demais é nocivo. O charme é nocivo. A sedução mata. Quando não mata, envenena. Antídotos não surtem efeito. Me entreguei e achei que ele me levaria longe. Achei que a sedução era o bastante e não. Ela era o bastante pra me fazer acreditar que tudo era sedução barata. Quando se acostuma a mergulhar profundo, a superfície é pouco, a superfície te cansa, a superfície te afoga. Te sufoca no vazio, te enforca no tédio. A profundidade te joga no escuro. Ambos ruins. Ambos nocivos. Melhor não sentir nada.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

a dona da vez

De salto alto, em cada esquina, ela provoca. Tem um jeito de olhar que até Deus duvida que tenha criado algo tão belo...passa feito uma brisa e deixa o ar decorado com a fragrância, que apesar de barata, ganha um valor altíssimo quando ela usa. Shampoo suave, vestido bem passado e rosto iluminado. Quem resiste? Os que resistiram um dia, hoje sofrem. Os que perderam então...nem se fala. Ela esnoba, sorri e dança. Só dança. Desliza causando inveja aos olhares e comentários venenosos das concorrentes de salão. Dá um sorrisinho malicioso, um olhar furtivo e vê as meninas recolhendo a mão dos namorados ou distribuindo broncas aos olhares compridos demais. Ela é a menina do salto, salto alto...e mulher de salto alto, cabelo perfumado e malícia, meu amigo, nem o diabo pode.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

despedida

Era uma noite quente de verão quando ele se despediu. Tudo que eu conseguia dizer era que tudo ia ficar bem. Não ia, mas eu ainda gostava de me enganar, como nas primeiras vezes. Ele saiu por aquela porta sem hesitar e parecia firme quanto a sua posição. Eu, naquele momento só poderia respeitar sua vontade e me calar, e assim o fiz. Dentro de mim, aquela vontade de tê-lo ao meu lado ainda falava mais alto, mas ainda assim, eu, mesmo que por criação, havia me feito mulher pelo destino. Agir feito uma menina inocente acreditando que as coisas se encaixariam como num quebra cabeças era ingenuidade demais pra mim. Resolvi que era a hora de fazer as malas. Não as minhas, mas as dele. Coloquei cuidadosamente cada camisa, suas calças prediletas, aquele frasco de perfume que ao meu ver, era minha música favorita, só que líquida. Peguei a mala, relativamente leve se comparado ao peso que eu carregava na alma naquele momento e desci até o portão. Queria vê-lo mais uma vez de perto, tocá-lo, esperar que ele me pedisse pra voltar, mas não era certo e eu sabia que não devia. Me contentei em colocar um bilhete sob a mala. Entrei, subi as escadas muito rápido e me tranquei no quarto. O bilhete só dizia o que eu sentia, o que pensava sobre tudo aquilo. ‘Colocaria meu bloco na rua por você, se seu orgulho me abrisse passagem.’

gata garota.

Malícia, ternura, doçura, incerteza, erros, venenos, mel... ela era isso e mais um pouco...um pouco de tabaco, um pouco de álcool, um pouco de brilho, um pouco de sorrisos...tinha um mel que escorria, derretia, fervia...era sempre destaque, sempre iluminava...era tudo. Eu precisava dela. Ela era como o ar, como o mar, como ela...ela era assim, toda fogo, toda estrela, toda violência, toda paz...ela era meio assim...toda feita, refeita, desfeita, perfeita...toda amor.


bailarina de ventos

Aquela mocinha na pontinha dos pés...andava devagarinho pela casa, pisando de mansinho pra não acordar o mundo àquela hora da manhã. Tinha um jeitinho leve, um toque suave, uma calma presente. Era como uma pluma, como a neve, como uma chuvinha numa manhã ensolarada de verão. Tinha força de uma ventania, mas a suavidade de uma bailarina. Sabia que se acordasse o mundo, não teria problemas...ela acordava o universo ao seu redor com um simples sorriso. É ela, a Bela.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

cheia de graça

Era quase hora da partida. Ela ja começava a tremer de ansiedade. Muito em breve estaria em terras desconhecidas, com outros ares, novas emoções e novos horizontes a explorar. A vida é assim...sempre nos vemos frente à novidades e elas surpreendem, imobilizam, nos fazem ficar sem reação. Por isso é novo...ela havia sido novidade um dia. Uma agradável surpresa na vida de todos aqueles que puderam saborear a doçura do seu jeito de ser. Deixaria saudades, algumas fotos e muita alegria. Assim era a Ana. Do hebraico, cheia de graça. Graça, beleza, amor. Essa era Ana, essa era única!



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O que é viver?




Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...

Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...

E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...

E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...

Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...

Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...

Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...

Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...

Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...

E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Prece ao Tempo

Hoje eu brindo a novidade
Coloco um sonho dentro da próxima taça de vinho
Dizem os profetas: 'grandes sonhos virão'
Eis o tempo de revolucionar

Abençoada seja a espera
Cativantes sejam os próximos sorrisos
Se tiver que começar uma avalanche
Conte comigo

Não tenho mais medo de sombras
Andar sozinho pra mim virou diversão
jogo alto, não tenho medo de enfrentar o azar
De agora em diante, sou dona de mim

Encaro a plateia de bom grado
levo a felicidade estampada no peito e na cara
bato na cara do inimigo
e saio sambando pela avenida tal qual a diva passista , pode crer

Assumo o medo que o desconhecido provoca
Entendo que cada falha foi um degrau na subida
dispensei os infortúnios que me couberam
agora eu saio com a cabeça erguida desse show.

E você?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Memórias


Enquanto a neta chorava os avós e os pais entraram em desespero...o avô acolheu a neta no colo e saiu cantarolando para acalmá-la...nesse meio tempo me recordei de uma determinada música que mamãe disse que cantava pra me acalmar quando bebê...
Como dizem que mãe nunca se engana, essa música me acalma mesmo quase 20 anos depois...
São esses pequenos detalhes que me fizeram perceber que o afeto e os detalhes, quando verdadeiros deixam de ser momentâneos e se eternizam ao longo dos anos...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Fases

Não nego, me entrego
não consegui te esquecer

desfaço os laços
que me prendem a você

laços esses rompidos
como seda aos ventos
só sobraram pensamentos
e memórias de você

me abandone, não questione
eu sei que posso ainda te querer

já que me deixou do avesso
parta, não deixe nem endereço
não vou mais procurar você

nem seus cantos, nem encantos
nem brilhos, nem trilhos
vou me perder por aí

por onde o tempo me carregue
como uma cruz apagada
como uma tatuagem, me serve.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Entre amoras e amores

Tenho muitas mulheres nessa vida...de uma aquarela de cores, de várias idades, de muitos amores...poucas são casadas, muitas são carentes...todas com charme de donzela, mas sem talento pra meretriz...
Todas elas tem uma cabeça feita, às vezes desequilibradas...
Vivem suas confusões entre a guerra e a paz...
Mas sabe, nada nem ninguém nesse mundo me fez tão feliz como elas me fazem...


Pro amor.



Sabe aquela coisa de que 'o amor é cego'? Conversa...o amor enxerga muito bem...o amor é doce, o amor é puro...tem um belo sorriso, um papo legal, trás vida à sua vida e te faz querer ser melhor...como pessoa, como amigo, te faz crescer, te faz ver seu próprio valor, muitas vezes esquecido pelas travessuras do tempo...

O amor vem uma única vez na vida e fica. Nunca mais se desprende.

Mas o amor não é pra quem quer...não se procura o amor...o amor é quem procura a pessoa certa. O amor é só pra quem merece. E pra quem merece o amor.





Pare e Pense. Mais uma vez.

Esse é o Playmobil.
Dando aquela clássica observada sobre tudo que andou ocorrendo nos últimos tempos cheguei a uma conclusão um tanto quando infeliz: diante de todos os fatos ruins que ocorrem na vida, acabamos nos tornando inimigos do nosso próprio passado. Não se trata de inimizade no sentido de odiar aquela festa de aniversário de 5 anos que sua mãe te deixou com o cabelo muito semelhante a um boneco de playmobil. O passado a que me refiro é aquele que você se recusa a aceitar que tenha permitido acontecer. A festa de aniversário foi boa, mas você sente que poderia ter evitado o cabelo de playmobil. Na verdade não, você não podia porque sua mãe assim quis que fosse. Você se tornou vítima da situação, tanto quanto nesse passado tão próximo que você está pensando agora. Esses dias me peguei pensando como seria a vida se arrependimento realmente matasse. Uma diminuição na população mundial seria o primeiro efeito.
Mas pensando por um outro lado: os erros nada mais são do que aprendizados e você bem sabe disso. Sendo assim, na falta de necessidade de aprendizado, você jamais teria que ter nascido. Logo a humanidade não teria nenhuma obrigação de aprender nada e nascer seria inútil.
Não digo isso por ser perfeita ou porque jamais parei e pensei 'eu poderia ter evitado essa ou aquela situação naquela ocasião'. Na verdade o poder de evitar todos tem, mas a vontade de testar as circunstâncias e concluir até onde você é inume ao arrependimento é muito maior. Curvar-se, render-se ao próprio erro é o que dá uma relevância ao mesmo muito maior do que ele realmente tem.
Sabemos que vamos continuar errando, esses erros vão alimentar o então presente e dar vida ao possível rancor do passado. Possível. Não significa que isso seja uma regra. Erre e dê vida ao erro. Agradeça àquele ou àquela coisa que te fez pensar melhor e se arrepender. Graças a ele, querendo ou não, você aprendeu.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sugestão de Som




Males de Amar.

Quem era aquele homem? Aquele que se sentava no balcão todos os dias às 10 horas? Sempre naquele ar de mistério, entrava no bar, pendurava o guarda chuvas, puxava a carteira e sentava-se de frente ao atendente e pedia doses a noite toda. Ninguém nunca conversava com aquele sujeito. Algumas mulheres tentavam em vão seduzí-lo. Em vão, porque sequer uma breve olhada ele dava. Ignorava sem pena o mais fundo decote ou mais fino salto agulha. Dizem que um dia, ele virou o rosto pra olhar uma mulher que entrou naquele bar. Loira, estatura média, tipo físico escultural e maquiagem cara. Era essa a mulher (devassa, diga-se de passagem) que o transformara naquele ser cavernoso. Não se sabe ao certo a história. Uns dizem que ele a perdeu pra 'vida', outro que foi trocado pelo melhor amigo dele. Alguns dizem até que ela trocara o sujeito pelo pai (dele). Depois de entrar, a mulher caminhou na sua direção, sussurrou algo em seu ouvido e saiu dando um riso maldoso de satisfação. Todos se arrepiaram com a situação e apostavam doses e mais doses que naquele momento ele atiraria uma garrafa na cabeça dela. Um doce engano desses, que não sabem o que é sofrer um desengano por amor. Ele sofria com destreza e fizera do sofrimento seu modo de vida. E aquela era sua vida. Entre a boemia noturna e o sofrimento entre os raios de sol, tão claros como os cabelos daquela mulher.





Drinking Again - Frank Sinatra

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sons e Saudades

Havia atrelado o cara a algumas canções. Todas elas ecoavam nos momentos de silêncio. Não restava mais nada, só as músicas que ele gostava. E ela gostava também. E sabia que elas fariam parte da sua vida pra sempre. Se ele faria, as músicas também fariam. Eles conversavam bem menos que o habitual...talvez as conversas tenham destrinchado idéias, pensamentos...passaram a refletir mais sobre si mesmos e talvez sobre os dois. Ela se perdia em teorias, acordava tarde, bebia mais, sonhava menos, esperava infinito...até quando? Não tinha mais a necessidade de agradar, não via mais simpatia pelos sentimentos. Só sentia medo de se iludir e cair no desconhecido mais uma vez. Queria ter uma bola de cristal, chorar quando chovesse e pedir chuva nos dias de sol. Buscava a claridade somente quando tinha silêncio, porque no silêncio nada mais restava, só as músicas que ele gostava.

Sugestão de Som



Norah ♥

Flertes e Outros Traumas

Passava longe de ser um cara interessante. Pelo contrário. Chegava a ser grotesco. Mas tinha algo que simplesmente atraía. Era como se fosse o polo negativo num meio positivo. Sim, porque naquele ser, nada era positivo. Cheio de erros, repleto de defeitos, e ainda assim, sedutor. Tampouco era inteligente. Na verdade, soava meio pedante. Convencido, sabia que por onde passava deixava sua marca. Era um cara marcante. Perfumado, um sorriso forte, um olhar que penetrava até sob o olhar mais resistente. Mas não era o bastante. Jamais reconheceria que aquele cara havia abalado suas tão fortes estruturas. Se alguém perguntasse, a resposta seria sempre não. Não era esse tipo de coisa que se assume assim, sem mais nem menos. O tipo dela era outro, todos sabiam. E se ele próprio perguntasse? Será que suportaria uma rejeição com toda aquela arrogância? Mas...será que ela rejeitaria? Até o horóscopo colaborava pra que eles se entendessem. O que não colaborava era a personalidade. Dele, é claro. Todavia, nada aconteceria mesmo. Ele passou pela sua vida e só. Nada mais. Embora tivesse seduzido mais que o normal, mas passou. Ele era pouco pra ela, ela era muito pra ele. Eles facilmente se completariam. E ele passou. Ou não...


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Libertad.

Revirando o caderno de memórias, ela encontrou a seguinte frase:

'Acredite, os elos invisíveis que nos prendem à outras almas podem ser mais fortes que os abraços que nos prendem a outros corpos...'


Após uma mensagem noturna inesperada, ela percebeu que é verdade...e mais, acha que esses laços além de prender, machucam. Nunca mensuramos o tamanho da dor que causamos a outras pessoas até sentirmos na nossa própria pele. Mas laços, correntes, regras nasceram pra isso mesmo; serem rompidas. Às vezes não existe mais sentimento, somente os elos...até que ponto vale preservar os elos vazios?





Well you can get out of this party dress but you can't get out of this skin.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Abrigos

Era uma tarde chuvosa e ela caminhava apressadamente pela chuva que caía sem cessar. Nem o seu guarda chuvas florido de costume conseguia protegê-la por completo. Não eram normais aquelas chuvas no outono, mas o tempo andava tão fora de si que ela não ousava discutir. Notou que havia um café do outro lado da avenida principal e correu em direção a ele. Abriu a porta devagar e recolhendo o guarda chuvas encharcado. Caminhou em direção ao balcão enquanto uma mulher de uns 45 anos veio prontamente atendê-la. Pediu um café e sentou-se numa mesinha no canto do local, próxima a uma grande vidraça que direcionava sua vista para o movimento da avenida. Ao observar o ambiente em que se encontrava viu algumas fotos de família, um quadro com uma paisagem delicadamente pintada com um barco flutuando sobre um rio, as paredes de veludo salmão, o assoalho amadeirado com cheiro de inverno...tudo ali era suave, tinha um ar despretencioso, mas íntimo...como se fosse um amigo de confiança que guardasse o seu maior segredo. Ela decidira que aquele lugar era o seu favorito no mundo naquele dia. Tinha sempre esse costume. Todas as vezes que saía, procurava algo ou algum lugar na sua rota que tornasse aquela saída importante e valiosa. Aquele lugar simplesmente a deixou apaixonada e por ali ficou por longos minutos. Enquanto a chuva recuperava sua calmaria, ela pagou pelo café, deu um grato sorriso à atendente e prometeu a si mesma voltar. Porque é sempre assim, podemos sempre sair dos lugares que nos fazem bem, mas jamais tiraremos esses lugares de dentro de nós.

um dia e nada mais

E mais um dia ela acordou. Acordou daquele jeitinho que todo mundo gosta, abalando. E abalada. E logo ela que se dizia inabalável. Levantou da cama num pulo e abriu a janela pra sentir os primeiros raios de sol do dia. 'Nossa, meu cabelo deve estar horrendo...'. Ainda pensava o que seria da sua vida nos próximos dias. E só de pensar nisso seu estômago revirava de ansiedade. Se dava conta de que não fizera outra coisa além disso desde que se entendia por gente, e o que é pior, de nada adiantava. E é sempre assim, sofrer de véspera e quebrar a cara no momento. Abriu a porta do quarto, caminhou pela casa ainda quieta e foi direto ao banheiro. Olhou-se no espelho e o cabelo não estava tão mal assim. Mas não gostou da sua fisionomia distorcida pelo travesseiro e nem dos olhos vermelhos, sinal do sono incompleto. Caminhou vagarosamente em direção a cozinha, notando que os cômodos tornavam-se cada vez mais iluminados. Provavelmente sua mente já lhe avisava que teria que despertar, gostando ou não. Tomou seu café da manhã, escovou os dentes e sentou-se de frente para o relógio. Todo final de semana ainda refletia na sua consciência e sentia que algo havia ficado incompleto, como todos os dias. Os seus dias estavam incompletos, talvez porque sua vida se encontrava incompleta. Era essa dependência que causava o sofrimento totalmente desnecessário. Bom mesmo é buscar o que te completa em si mesmo. Uma hora todos se vão, é inevitável. Ela tinha uma parte de si em cada pessoa que amava, mas era como sempre ouvira: 'Procure alguém que lhe faça transbordar e seja completo por você'...era isso que faltava, se completar. E não mais enxergar sua vida/coração como um jogo de quebra cabeças ou resta um...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sobre o Coreto.



Esses dias eu vivi algo realmente mágico. Pode parecer estranho, mas era mágico mesmo. Uma pessoa de quase 20 anos acreditando em mágica, por mais absurdo que seja, tem um pé na realidade. E foi real. Eram pessoas mágicas, com qualidades mágicas e que tinham a capacidade de escrever, contar e compor coisas que encantavam a todos. Acho que nunca havia me sentido assim...tão em contato com a linha que divide o real do imaginário. Como eu amei aquele momento...todos aqueles olhares, todo aquele encanto, o lado mais doce da pessoa mais sombria, ou o lado mais obscuro da pessoa mais suave. Inversão de papéis. Um ou mais lados da personalidade daqueles seres mágicos que se revelavam a cada linha que era dita. Nada paga, nenhum preço nesse mundo será cabível pra'quele momento. Foi tudo não perfeito que só agora me peguei questionando...será que foi mesmo real?

sábado, 28 de janeiro de 2012

de início.

Olá! Tudo bem?
Como todo novo blog, todo novo começo, confesso que estou perdida. Não sei exatamente o que postar numa primeira vez e nem pretendo despejar toneladas de informação de uma só vez. Fiz esse blog pra amigos e pra'queles que desejarem se tornar mais um. E sou favorável que todos escrevam, todos se expressem, todos os fantasmas se exorcizem na escrita. Ou não só na escrita, afinal o mundo tem artes o suficiente pra que nenhuma espécie de 'mau agouro' perturbe por muito tempo. O que não é válido é enrustir os bons sentimentos e a vontade de expressão!
Pra um primeiro post, uma composição própria...um pequeno pedacinho de mim em algumas palavras. Espero que gostem, e voltem!



Entendimento e só


'Todas as tardes ela se sentava na mesma praça para curtir a tranquilidade do momento. Um copo de café expresso e uma paisagem monótona de uma praça de interior, nada mais. Mas naquela tarde havia uma movimentação diferente naquele lugar. Do outro lado da praça estava aquele rapaz. Cabelos escuros, uma camisa xadrez bem passada, óculos com uma armação diferente e aparentemente pensativo. Ela se pegou por alguns instantes fitando aquele rapaz. Sabe aqueles momentos em que você imagina o que se passa pela cabeça de outra pessoa? Então, era o que ela estava fazendo...aquela expressão escondia algum mistério...não era algo claro, como uma namorada ou um flertezinho festivo, tampouco uma preocupação acadêmica ou relativo ao trabalho. Era algo mais profundo. Ele franzia levemente a testa como se procurasse uma resposta pra uma questão universal. Era como se a natureza dependesse daquela resposta pra que humanidade se encontrasse em paz na manhã seguinte. Mas que pergunta seria essa?
Ela não notara o tempo que passara desde que começou seu questionamento, mas foi tão profunda na análise que quando deu por si, o rapaz a olhava intrigado e achando estranho o modo como aquela menina agia. Ela acordou de sopetão e enrubesceu levemente. Achando a situação um tanto quanto constrangedora, o rapaz sorriu na intenção de que ela percebesse que estava tudo bem. Ela retribuiu o sorriso e baixou a cabeça pensando no tamanho da besteira que havia feito.
Nesse meio tempo uma bela jovem chegou na pracinha. Com um vestido floral, cabelos curtos meio loiros e trejeitos angelicais. Caminhou em direção ao rapaz e deu-lhe um beijo na testa. O rapaz retribuiu o beijo com um franco sorriso, tomou-a pela mão e retirou-se da praça caminhando lentamente de dedos entrelaçados com a moça.
Aquele momento tão breve foi eterno. Por alguns momentos ela queria ser aquela moça. Sentiu uma vontade imensa de pegar as mãos do rapaz também. Mas ficou contente do momento em que ficara presa na expressão e no sorriso calmo do mesmo.Não descobriu o que ele pensava, e também ja não mais importava. Aquilo valeu-lhe o dia e mostrou que alguns momentos breves valem uma vida, que um breve sorriso prende pela vida toda e que certas pessoas se completam sem esforço algum e simplesmente nascem pra se pertencer, como aquelas duas almas.
Saiu daquele lugar mais feliz naquele dia, mais leve, mais ela. E desde aquele dia, mais amor.'