Ela acreditava nas rosas. Sempre acreditou no poder delas e não quão encantadoras eram aquelas flores que exalavam um perfume delicado e cruel. Cruel porque trazia lembranças de uma vida passada a qual ela não gostava nem de pensar em reviver. Delicado porque era a representação do seu próprio ser e daqueles seres que a cercavam. A parte disso, cultivava muitas rosas de variadas cores no seu jardim. Sabia exatamente a sensação de ter uma piscina de pétalas e outra de espinho, porque mergulhara em ambas e voltara completamente ferida quando os espinhos perfuraram sua pele, seu rosto, sua alma. A de pétalas era o seu refúgio quando os espinhos se tornavam insuportáveis. Enquanto isso cultivava rosas. Ia sempre cultivar essas rosas. Cultuar essas rosas. Aquela rosa.terça-feira, 4 de setembro de 2012
rosa.
Ela acreditava nas rosas. Sempre acreditou no poder delas e não quão encantadoras eram aquelas flores que exalavam um perfume delicado e cruel. Cruel porque trazia lembranças de uma vida passada a qual ela não gostava nem de pensar em reviver. Delicado porque era a representação do seu próprio ser e daqueles seres que a cercavam. A parte disso, cultivava muitas rosas de variadas cores no seu jardim. Sabia exatamente a sensação de ter uma piscina de pétalas e outra de espinho, porque mergulhara em ambas e voltara completamente ferida quando os espinhos perfuraram sua pele, seu rosto, sua alma. A de pétalas era o seu refúgio quando os espinhos se tornavam insuportáveis. Enquanto isso cultivava rosas. Ia sempre cultivar essas rosas. Cultuar essas rosas. Aquela rosa.quinta-feira, 23 de agosto de 2012
retirada.
O silêncio atingiu o ponto mais alto daquela noite.
Saltos altos dos apartamentos vizinhos ecoavam pelos corredores enquanto naquela casa silenciosa só restava o vazio. Móveis cobertos do que antigamente era um lar, e hoje era apenas comércio.
Na cabeça dele, o vinho estava amargo demais, o vento gelado demais, e o silêncio falava alto demais; motivo mais que suficiente para que, aos brados, exigisse que ela melhorasse seu paladar, fechasse as janelas e começasse a dizer o que pensava, pois aquele era o extremo em que chegariam.
Já para ela, restavam os próprios contra-argumentos que raramente surtiam um bom efeito, as lágrimas e o sentimento de 'eu sabia que seria assim', ou 'minha mãe me avisou que era tudo muito rápido'. Ela sentia que tudo chegaria nesse ponto quando passou a reviver uma vida em um dia. Não mais vivia o agora. Se prendia a lembranças do que havia sido, do quão próximo estiveram e de quanto tempo levaria até que aqueles laços (que já se transformaram em nós) finalmente se desfizessem. Enquanto isso ela fazia as malas. E guardava carinhosamente o retrato, daquele fim de semana em que eles se sentiram inatingíveis, acreditando que não se cortaria dançando sobre os cacos daquela história.
Já para ela, restavam os próprios contra-argumentos que raramente surtiam um bom efeito, as lágrimas e o sentimento de 'eu sabia que seria assim', ou 'minha mãe me avisou que era tudo muito rápido'. Ela sentia que tudo chegaria nesse ponto quando passou a reviver uma vida em um dia. Não mais vivia o agora. Se prendia a lembranças do que havia sido, do quão próximo estiveram e de quanto tempo levaria até que aqueles laços (que já se transformaram em nós) finalmente se desfizessem. Enquanto isso ela fazia as malas. E guardava carinhosamente o retrato, daquele fim de semana em que eles se sentiram inatingíveis, acreditando que não se cortaria dançando sobre os cacos daquela história.
terça-feira, 31 de julho de 2012
mais que normal.
Pra quem já perdeu a voz diante da falta de crença, da cegueira e da dependência, ver o mundo se levantar sem voz não é algo tão doloroso. É apaziguante. É depois de algum tempo que a gente percebe que mesmo que estilhaçado, cada pedacinho de um espelho ainda reflete uma pequena parte do mundo.
terça-feira, 10 de julho de 2012
sim ou com certeza.
A gente passa muito tempo assim, sentindo. Mas na hora de escrever o que sente, não sai. Sou dessas...odeio declarações melosas demais, açucaradas demais, com lero lero demais...sendo assim, passo muito tempo tentando interpretar o que eu sinto por ele e não sai.
Não vou ficar procurando meios de dizer o quanto ele é especial, o quanto eu o amo, o quanto ele me faz feliz, que a gente é pra sempre. Ele não me aguentaria pra sempre. Aquela velhinha caquética, reclamona, irritante...ainda mais ele. Nunca é. Uma puta besteira isso.
Ele é aquelas metáforas das coisas simples da vida, que te acontecem. Todo dia. O dia todo.
Ele é aquela risada que você dá sem perceber e fica puta da vida consigo mesma por ser tão idiota. Dá a mesma sensação que aquele ventinho leve quando você ta praia ao meio dia e não sabe pra onde correr pra se refrescar. É aquele momento que você ta trancando a porta de casa e de repente te dá um estalo e você lembra que o celular ficou...o alívio por ter lembrado, sabe? O último gostinho doce do chiclete, ainda que depois ele fique duro, seco e insípido, você acaba querendo mais. Aquela blusa que você comprou super por acaso, 'pra usar a toa' e ela se tornou a sua peça chave e favorita.
Mas como toda aparelhagem masculina, ele consegue ser aquele ódio profundo que dá ao ver uma loira sensacional de roupas extremamente curtas e físico perfeito desfilando pelas ruas e me fazendo pensar "certeza que o maldito estaria olhando agora!". Pode ser aquela chuva extremamente fria que começa a cair no exato momento que o pneu do carro estourou e a única pessoa que pode trocar é você mesma.Ou a ventania pavorosa que acontece quando você se produziu toda pra sair de vestido, salto alto e sem blusa. Te faz querer empurrar ele contra a parede e morrer ao mesmo tempo. Às vezes te deixa meio indecisa entre continuar com ele ou pular de um prédio de 15 andares. Te faz querer pendurar as chuteiras da sua vida bagunçada e fazer uma bomba nuclear. Te faz ter momentos de puro racionalismo em que você aceita todas as condições humanas dele, mas em outros você sentiria o ego super massageado de aniquilar em massa não só ele, como todos da mesma espécie.
Mas pergunta se em algum momento pensei em ficar longe dele. Sim, é óbvio. Só não me pergunte se eu estaria viva no dia seguinte. Ou se ele estaria.
Não vou ficar procurando meios de dizer o quanto ele é especial, o quanto eu o amo, o quanto ele me faz feliz, que a gente é pra sempre. Ele não me aguentaria pra sempre. Aquela velhinha caquética, reclamona, irritante...ainda mais ele. Nunca é. Uma puta besteira isso.
Ele é aquelas metáforas das coisas simples da vida, que te acontecem. Todo dia. O dia todo.
Ele é aquela risada que você dá sem perceber e fica puta da vida consigo mesma por ser tão idiota. Dá a mesma sensação que aquele ventinho leve quando você ta praia ao meio dia e não sabe pra onde correr pra se refrescar. É aquele momento que você ta trancando a porta de casa e de repente te dá um estalo e você lembra que o celular ficou...o alívio por ter lembrado, sabe? O último gostinho doce do chiclete, ainda que depois ele fique duro, seco e insípido, você acaba querendo mais. Aquela blusa que você comprou super por acaso, 'pra usar a toa' e ela se tornou a sua peça chave e favorita.
Mas como toda aparelhagem masculina, ele consegue ser aquele ódio profundo que dá ao ver uma loira sensacional de roupas extremamente curtas e físico perfeito desfilando pelas ruas e me fazendo pensar "certeza que o maldito estaria olhando agora!". Pode ser aquela chuva extremamente fria que começa a cair no exato momento que o pneu do carro estourou e a única pessoa que pode trocar é você mesma.Ou a ventania pavorosa que acontece quando você se produziu toda pra sair de vestido, salto alto e sem blusa. Te faz querer empurrar ele contra a parede e morrer ao mesmo tempo. Às vezes te deixa meio indecisa entre continuar com ele ou pular de um prédio de 15 andares. Te faz querer pendurar as chuteiras da sua vida bagunçada e fazer uma bomba nuclear. Te faz ter momentos de puro racionalismo em que você aceita todas as condições humanas dele, mas em outros você sentiria o ego super massageado de aniquilar em massa não só ele, como todos da mesma espécie.
Mas pergunta se em algum momento pensei em ficar longe dele. Sim, é óbvio. Só não me pergunte se eu estaria viva no dia seguinte. Ou se ele estaria.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Nem sempre pelo mundo.
mais um filho do mundo
esse mundo que chora
essa noite que chove
Não faço questão de ser escutada por ele
não quero que me responda nada
nem me indique nenhum caminho
Mas me dê um espaço
pra ser meu
pra ser eu
Pra ser o mundo
Pra não ser Deus
só quero ser mais um filho
dessa escuridão fluída
que lava a distância percorrida
entre o ser e o poder
entre o viver e o parecer
entre o padecer.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Velha História
Ela não vai sair daquele bar sem fazer estragos, sem quebrar nada, sem seduzir ninguém, ela preferia a confusão. Queria mesmo ver o circo pegar fogo sem se importar com as consequências...Ela não ia. Mas o melhor a fazer é dar uma piscadinha pro rapaz lá atrás, terminar aquela garrafa, levantar derrubando a cadeira e quebrar o salto nos vãos entre as pedras da calçada. Esse era o desfecho de sempre. Todos acabavam olhando aquela jovem, compadecidos com seus 'ais'...'tão nova, tão bonita, mas desse jeito...'
É...melhor terminar logo a garrafa.
terça-feira, 5 de junho de 2012
amargor.
No fim da noite sobraram só os estilhaços das taças atiradas, a porta entreaberta com o chaveiro tailandês pendurado, três garrafas de vinho caídas pelo chão e ela. Ela arrependida. Ela olhando pela janela. Ela sem norte. Nem sul. Talvez teria sido melhor encarar a despedida assim, silenciosa. mas ela preferiu que todos os vizinhos soubessem que ele não pertencia mais aos momentos em que ela (supostamente) mais precisava. "Sabia que não deveria ter acreditado naquelas flores! Sabia!"...Na verdade não, ela nunca soube e nunca vai saber. Dali um tempo ele vai aparecer, com mais uma garrafa de vinho, outro buquê de flores, ela vai abrir a porta, vai segurar o chaveiro tailandês da lua de mel e vai sentir de novo tudo aquilo que aquela noite proporcionara. Para isso precisava sair da janela...mas ainda não se sabe se existe alguém no mundo que troca a lua pela terra.
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